sexta-feira, 20 de outubro de 2017

silêncio. a tela em branco. a cabeça oca , o coração vazio , branco como a tela e mais silêncio , ausência(s) . 
Nada apetece , a morte em vida ,o desencanto ,
dor na alma , na carne , na mente e só ausências , vazio , silêncio


domingo, 15 de outubro de 2017

Três da manhã e um calor anormal. Acendo um cigarro , meio a dormir meio acordado , e pego no tablet como antes se pegava num missal. Começo a rezar. Já tão pouco me lembro o que li e vi. Lá fora agita-se um vento anunciador mas nada acontece. Apago a luz e tento dormir de novo. 
Passo , suave, a minha mão pelo teu ventre despido
o teu rosto ilumina-se com um sorriso terno


sábado, 14 de outubro de 2017

Só quero saber de ti ,
a tua ausência dilacera-me a vontade
os teus lábios extasiam-me os sentidos

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Onze da manhã . Mais um dia sem chuva . O lugar , como de costume , está calmo e nada de particularmente emocionante se passa. Aliás , para lá da vida de todos os dias das gentes que por aqui vivem , que não é coisa pouca , nada de especial acontece. À noite , o silêncio é quase sepulcral e só o recurso à imaginação nos ajuda a passar as horas vazias de sons. Ao contrário do que se possa pensar , não é mau de todo. Claro que preferia que estivesses aqui mesmo que não trocássemos qualquer palavra. Olhar para ti , seria suficiente. Na tua ausência , é à imaginação que recorro.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Uma indisposição abala o meu pequeno mundo de nadas ,
vazios , silêncios , ausências.
É a tua ausência que me afecta .
De que cor é o amor ?!... A que cheira o amor ?!...
A vida é assim. Tem dias em que não faz qualquer sentido. Nem a Catalunha, o PSD ou mesmo o José Sócrates me entusiasmam. Só a vitória de Portugal contra a Suiça , no último jogo de apuramento para o Mundial de Futebol,Rússia,2018,me alegrou um pouco , logo a mim , que normalmente não ligo nenhuma ao futebol.

A doença da minha mãe obriga-me a pensar na vida . Como disse , sem trabalho e com um pequeno rendimento anual , vislumbro com pessimismo o futuro. Cheguei a esta situação porque não venci a pusilanimidade com que vim ao mundo ou a ela me deixei vergar ao longo dos anos . Vivi durante muito tempo afectado por depressões e falta de auto-estima , consequência , porventura , de uma predisposição natural , a que se somou a circunstância de ter crescido em ambiente de algum desequilíbrio emocional provocado , em grande medida , pelo meu pai , ele próprio, também desequilibrado .

Sempre receei o futuro e ei-lo aqui , a bater-me à porta : não vem com cara de muitos amigos nem com muito bons modos. Não tenho outro remédio senão deixá-lo entrar e alojá-lo o melhor que puder.
Passo por dias sombrios , que tinha antecipado , mas vividos são outra coisa . Sem trabalho , com um baixo rendimento anual , preocupo - me com o futuro. Há alturas em que realidade esbarra contra nós de uma forma tão brutal e ruidosa que ,  se a situação por si só já não é boa , fica ainda pior , uma vez que nos tira esperança e discernimento.

Deixar tudo para amanhã , dá nisto.

domingo, 8 de outubro de 2017

Ficou ali quieto por instantes , sem saber para onde ir , até que , inexplicavelmente ,  as lágrimas começaram a cair , frias , pelo até então seco rosto.
Falavam - lhe em Deus e na redenção pela Fé mas sentia-se tão destroçado e descrente que não conseguia entender nada. Afinal , pensou depois , é que a possível verdade era a de que a sua arrogância é que o fazia estar assim. A arrogância de julgar estar certo !
Não é fácil reconhecer que nos enganámos quase todo o tempo. Que a nossa visão da vida e o nosso raciocínio sobre os outros foi , durante imenso tempo , um tremendo erro .

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Morte

A primeira vez que a Morte me mordeu o coração e me arrancou um pedaço , foi em setembro de 1985 , quando o meu Pai morreu. Depois , em fevereiro de 1990 , de forma súbita e sacana , fui de novo amputado , quando o meu Irmão Miguel parou definitivamente de respirar, inanimado para sempre. Se ainda não me tinha refeito do desaparecimento do meu pai , este segundo golpe , desferido à má-fila , marcou profundamente a minha vida , alterando-a para sempre.
Quando percebeu quem caminhava do outro lado , atravessou a rua , aproximou-se e , disfarçando o embaraço que sempre lhe causava a mãe , curvou-se primeiro em direcção à criança a seu lado , cumprimentando - a com um beijo na face e um afago nos cabelos lisos.  Só depois teve coragem para enfrentar o rosto luminoso da mulher que em segredo amava , tendo conseguido mesmo reunir forças para articular , com algum sentido , umas palavras de circunstância . O sol começava a pôr-se e no seu trajecto em direcção ao mar , ia enchendo o céu de um quente laranja avermelhado a que não se podia ficar indiferente. Mais ninguém , àquela hora , passava na rua.Só ao longe , no outro extremo , se  viu a mulher a estender a roupa , nos seus gestos lentos , como sempre  fazia . Inês começou a ficar inquieta quando o silêncio se interpôs entre os dois adultos ali a seu lado e ia puxando pelo braço da mãe.
- Vamos - disse - o André está à nossa espera.
- Até logo - balbuciou António evitando um constrangimento maior que com toda a certeza se imporia se ali ficasse mais tempo . Alice olhou-o com a serenidade que lhe era comum e deixou-se levar pela filha sem dizer qualquer palavra.Esboçou um sorriso quando olhou para trás e mais nada. O alaranjado do céu , cada vez mais intenso , atingiu - o no coração.

domingo, 1 de outubro de 2017

Ficar apaixonado é cair numa armadilha ! Uma armadilha que os sentidos ou o coração , nos preparam e para a qual , nós , ansiosos por dar um sentido à vida , nos deixamos ir satisfeitos e inebriados , mesmo sabendo dos perigos que , com grande probabilidade , iremos ter pela frente. Mas quem é que consegue viver sem o apelo da paixão? Quem não gosta ou gostou de estar apaixonado?! Como se consegue viver sem amor?!...

Abençoadas foram as vezes em que na minha vida me senti apaixonado. Não sei ao certo quantas foram mas foram de certeza menos das que poderiam ter sido. Não me arrependo de nenhuma delas , repetiria cada uma , se possível fosse. Guardo o lado bom mas não esqueço o lado menos bom . Guardo a leveza e a beleza. O sorriso idiota pela manhã , a boa disposição durante o dia , o sorriso sem sentido pela tardinha.